Parte 1: O Início do Contrato
Tenho 41 anos e passei a vida inteira aprendendo a manter o controle absoluto sobre tudo ao meu redor. No topo do meu mercado, minha rotina sempre foi ditada por números frios, metas e uma postura impecável que mantinha todos a uma distância estritamente calculada. No entanto, o ritmo alinhado do meu escritório mudou radicalmente desde a chegada dela.
Ela tem 26 anos. Chegou há poucas semanas para assumir a assessoria direta da minha sala e trouxe uma presença que desarmou a sobriedade daquele andar executivo. Tinha a pele clara, olhos atentos em tom de mel e contornos profundos que ficavam evidentes até nos cortes sóbrios das suas roupas de trabalho. A saia ajustada destacava a linha fina da sua cintura e o desenho firme do quadril, enquanto a camisa de tecido leve entreaberta no topo revelava a curva suave do colo. Cada movimento dela — o caminhar firme sobre os saltos, o gesto simples de prender o cabelo escuro ou o som macio da sua voz ao alinhar minha agenda — prendia minha atenção de um jeito que eu não conseguia evitar.
A distância entre nós começou a diminuir de forma sutil. Não por longas conversas, mas pela frequência inevitável do contato diário. O perfume fresco de baunilha que ela deixava na sala ao sair, a proximidade sobre a mesa no fim do expediente e os olhares demorados que trocávamos a cada documento entregue em mãos criaram uma tensão que se acumulava dia após dia.
Naquela noite, o prédio já estava em completo silêncio. As luzes da cidade do lado de fora eram apenas pontos distantes através do vidro da fachada. Eu estava em minha mesa, com o paletó de lado e a gravata frouxa no colarinho, observando o silêncio da sala.
A porta de madeira abriu-se devagar. Ela entrou trazendo uma pasta preta contra o peito.
— Os termos finais estão prontos para a sua assinatura — disse ela, cruzando a sala em passos lentos.
— Já disse que fora do horário de expediente você pode esquecer os formalismos — respondi, sem tirar os olhos dela.
Ela parou ao lado da minha mesa, inclinando-se ligeiramente para apoiar os papéis sobre a madeira. O movimento fez o tecido da camisa acompanhar as curvas do seu corpo, expondo a linha do pescoço. O aroma doce e quente da sua pele tomou conta do espaço reduzido entre nós.
— É uma questão de costume — disse ela, em um tom mais baixo do que o habitual, com um sorriso contido que fazia seus olhos brilharem sob a iluminação fraca. — Mas posso tentar mudar isso.
Levantei-me devagar. Contornei a mesa até parar a poucos centímetros dela. Não olhei para os papéis. Encarei seus lábios entreabertos, sentindo o ar ao nosso redor ficar denso, carregado de uma expectativa sufocante.
— Você sabe que a sua presença aqui até mais tarde não tem nada a ver com o trabalho, não sabe? — perguntei, com a voz grave.
Ela não recuou um milímetro. Ergueu o queixo, sustentando o olhar com uma audácia que me fez perder a respiração por um segundo. A respiração acelerada dela era visível na curva do peito.
— Eu sei — sussurrou ela, deslizando os dedos pela borda da mesa até roçar a minha mão. — E sei que nenhum de nós dois quer ir embora agora.
Ergui a mão e toquei a linha da sua mandíbula com a ponta dos dedos, descendo devagar pelo pescoço. Senti sua pele se arrepiar por inteiro ao meu toque. O controle que mantive durante semanas simplesmente deixou de existir.
Podemos seguir para a Parte 2 (o prato principal)?
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