Sou um cara atlético, sempre gostei de esporte, principalmente pedal, o que vou relatar foi um presente maravilhoso que ganhei em uma das aventuras.
O sol do fim de tarde já começava a tingir o horizonte com tons quentes de alaranjado e violeta. A estrada de terra batida, cercada por copas densas de árvores e trechos de pasto, era o meu refúgio habitual para os treinos de ciclismo aos fins de semana. O ritmo das pedaladas era forte, o suor escorria pela minha testa sob o capacete e o som do vento nos ouvidos anulava quase tudo ao redor.
A curva fechada após a descida da ponte de madeira sempre exigia atenção, mas naquela tarde o imprevisto foi inevitável.
Ao contornar o barranco, deparei-me com outra bicicleta surgindo na direção oposta, ligeiramente fora da sua faixa. O tempo de reação foi de uma fração de segundo. Puxei os freios com força, o pneu traseiro rabiou na cascalheira solta e o impacto lateral foi inevitável. Nossos guidões se engancharam, e a queda nos jogou para o acostamento de grama baixa.
O baque seco tirou meu fôlego por um instante. Minha bicicleta ficou caída a poucos metros, com a corrente saltada.
— Você está bem? Meu Deus, me desculpa! — a voz feminina soou rápida, carregada de sobressalto.
Olhei para o lado enquanto me sentava na grama. Ela já estava de pé, tirando o capacete e soltando os cabelos escuros que caíram ondulados sobre os ombros. Vestia um macacão justo de ciclismo que desenhava com precisão a linha da sua cintura e o contorno das coxas. O rosto, corado pelo esforço do exercício e pelo susto do tombo, tinha traços marcantes e olhos expressivos que me encaravam com verdadeira preocupação.
— Acho que sim... só a velocidade que assustou — respondi, tentando me levantar, mas soltando um gemido contido de dor.
Ao olhar para o meu braço esquerdo, vi que a pele do antebraço e do cotovelo estava esfolada e sangrando pelo atrito com a terra e as pedras.
Ela se aproximou rapidamente, ajoelhando-se ao meu lado sem hesitar. Suas mãos, quentes e macias, seguraram o meu pulso com firmeza para examinar o machucado.
— Isso vai infeccionar se você continuar pedalando na poeira — disse ela, olhando diretamente nos meus olhos. O olhar dela era denso, firme, sem qualquer timidez. — O portão do meu sítio fica a menos de duzentos metros daqui, subindo aquela travessa. Venha comigo. Tenho gaze, antisséptico e água limpa.
Olhei para o sangue no braço, depois para ela. A proximidade e a insistência acolhedora tornavam impossível recusar.
— Tudo bem. A propósito, meu nome é Bruno.
— Marina — respondeu ela, oferecendo a mão para me ajudar a levantar. O toque prolongou-se por um segundo a mais do que o necessário.
Caminhamos lado a lado empurrando as bicicletas até a entrada da propriedade. O lugar era reservado, cercado por um jardim bem cuidado e com uma casa de varanda larga e rústica. Apenas o som dos pássaros e o sussurro do vento nas folhas quebravam o silêncio do fim de tarde.
Marina me guiou até a varanda, indicando uma das cadeiras de madeira de demolição.
— Sente-se aí. Vou buscar o kit de primeiros socorros e algo gelado para beber.
Fiquei sozinho por alguns minutos, observando o ambiente e sentindo o pulso acelerar — não pela dor do esfolado, mas pela expectativa daquela situação inusitada. Quando ela voltou, trazia uma caixa de metal, uma garrafa de água mineral e uma toalha limpa.
Ela puxou um banco pequeno e sentou-se bem à minha frente, joelho com joelho. A distância entre nós encurtou drasticamente. O perfume leve de flor de laranjeira que exalava da sua pele misturava-se ao aroma da terra molhada.
— Vai arder um pouco — avisou ela, molhando o algodão com o antisséptico.
Com uma mão, Marina segurou meu braço esquerdo por baixo, apoiando a minha mão no seu colo. Com a outra, começou a limpar o ferimento com movimentos extremamente delicados e pausados. A cada toque da gaze fria na pele sensível, meu corpo reagia com um leve sobressalto, e a respiração dela tornava-se perceptível contra o meu ombro.
— Desculpe... estou tentando ser o mais suave possível — sussurrou ela, sem afastar os olhos da minha pele.
— Você tem mãos muito boas — soltei, com a voz ligeiramente mais baixa do que pretendia.
Marina ergueu os olhos devagar. O olhar dela encontrou o meu a escassos centímetros de distância. Havia uma faísca indisfarçável ali, uma tensão que havia se acumulado desde o momento do acidente e que agora preenchia todo o espaço daquela varanda.
Ela não afastou a mão do meu braço. Em vez de continuar a limpeza do machucado, seus dedos começaram a deslizar suavemente para cima, contornando a pele íntegra do meu bicho e subindo até o meu ombro. O movimento era lento, provocante e deliberado.
Senti meu peito subir e descer em um ritmo pesado. Com a mão livre, alcancei a cintura de Marina, puxando-a suavemente para mais perto. Ela não ofereceu resistência; pelo contrário, soltou o algodão sobre a mesa e inclinou o corpo para a frente, apoiando a outra mão no meu peito, sentindo as batidas aceleradas do meu coração através do tecido do terno de ciclismo.
— O acidente acabou sendo uma boa coincidência — murmurou ela, com os lábios quase roçando o meu pescoço.
A respiração dela estava quente na minha pele. Passei os dedos pelos seus cabelos soltos, puxando a sua cabeça suavemente para trás para encarar seus lábios. O clima entre nós havia atingido o ponto de ebulição. O desejo velado e a urgência do momento cobravam uma entrega imediata. Aproximei meus lábios dos dela, sentindo o calor do seu hálito, prestes a iniciar um beijo profundo.
Foi exatamente nesse instante que um barulho alto de motor ecoou na travessa de acesso.
Luzes de farol cortaram a vegetação do portão principal, seguidas pelo som de pneus rangendo no cascalho da entrada. Um carro acabava de estacionar no pátio do sítio.
Marina sobressaltou-se, afastando o corpo em um movimento rápido, embora visivelmente relutante. Seus olhos ainda brilhavam com a intensidade do desejo interrompido, e suas bochechas estavam profundamente coradas.
— É a minha irmã... ela disse que viria pegar algumas chaves — disse ela, ajeitando o macacão com as mãos trêmulas e tentando recuperar o fôlego.
Ela olhou para mim com um sorriso cúmplice e enigmático, inclinando-se para sussurrar bem perto do meu ouvido antes que a porta do carro se abrisse:
— Termino o seu curativo lá dentro... assim que eles forem embora.
meu telefone tocou meu irmao tinha chegado de supresa, nao teve como continuar aquele delicioso momento com ela.
Mas marcamos outro evento.
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