Romance,Locura, casual

Filha do fazendeiro dando carona a um estranho em Barreiras-ba

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O sol do fim de tarde já começava a tingir o céu do Oeste baiano de alaranjado quando deixei para trás os limites urbanos de Luís Eduardo Magalhães. À minha frente, a BR-242 se estendia como uma fita preta cortando a imensidão do cerrado em direção a Barreiras. Tenho 38 anos, sou a filha do meio de três irmãs, morena, com o porte de quem não abaixa a cabeça para ninguém. Meu pai, um velho agricultor de punho firme que conhecia as durezas dessa terra como poucos, sempre me ensinou duas coisas fundamentais: a primeira era pensar com clareza mesmo diante do medo; a segunda era nunca andar desprotegida. No console central do meu SUV, ao alcance rápido da mão direita, repousava a minha garantia de paz. Uma "surpresinha" de aço, devidamente registrada, para o caso de algum engraçadinho tentar atrasar o meu caminho.

A pista estava relativamente calma, o motor do carro rodando macio, quando avistei uma figura na beira do asfalto, com a mochila apoiada no chão e o polegar levantado em busca de carona. À medida que me aproximei, a silhueta ficou clara sob a iluminação do entardecer. Não era um desconhecido completo, mas sim o Bruno.

Eu o chamava de estranho porque a nossa convivência nunca tinha passado daquela linha superficial de vizinhança de cidade pequena ou de encontros rápidos em postos de combustível. Era aquele "oi, tudo bem?" e nada mais. Mas eu sabia quem ele era, e ele, com certeza, sabia quem eu era.

Reduzi a velocidade, parei o SUV no acostamento a poucos metros dele e abaixei o vidro do passageiro.

— Vai pra Barreiras, Bruno? — perguntei, tirando os óculos escuros e sustentando o olhar.

Ele estancou, surpreso. Dava para ver no rosto dele a hesitação imediata. A minha fama de mulher de personalidade forte, que não aceita desaforo e anda no comando da própria vida, corria a região. Bruno olhou para o carro, olhou para mim e parecia calcular se valia a pena aceitar o convite. A desconfiança dele era quase palpável.

— Entre aí, homem! Não vou te morder não — completei, deixando um meio sorriso escapar.

Com o pé atrás, mas sabendo que a noite estava caindo e os ônibus ali eram raros, ele pegou a mochila, abriu a porta do passageiro e sentou-se. O cheiro do cerrado seco e o vento da pista entraram junto com ele antes que eu fechasse o vidro e ajustasse o ar-condicionado.

— Agradeço a carona... — disse ele, ainda um pouco rijo no banco, ajeitando o cinto de segurança. — Não esperava ver você parando por aqui.

— Nem eu esperava te ver pedindo carona. Mas já que estamos no mesmo rumo, aproveita o ar-condicionado.

Engatei a marcha e voltei para a pista. Nos primeiros quilômetros, a conversa foi mantida dentro do protocolo simples: o calor da região, a situação da safra e o trânsito da BR. Contudo, conforme os quilômetros iam ficando para trás, o rigor inicial de Bruno começou a ceder. Ele se revelou um sujeito extremamente agradável, com uma conversa leve, inteligente e um tom de voz pausado que combinava com o ritmo da viagem.

Sem percebermos direito, entramos por uma via sem volta na conversa, tocando em assuntos mais pessoais, decepções antigas e o peso de relacionamentos passados que deixaram marcas. O clima no carro foi mudando, tornando-se mais íntimo e confessional.

Aproveitando uma pausa no assunto, olhei de relance para o painel e depois para ele:

— Casado, Bruno?

ele respondeu de pronto:

— Não, senhora.

Na mesma hora, virei o rosto levemente e retruquei, com o tom firme mas brincalhão:

— Senhora é tua mãe! Eu sou uma moça.

ele soltou uma risada franca, aliviando o restinho de tensão que ainda pairava no ar, e respondeu na esportiva:

— Moça pra mim é uma mulher que nunca teve homem, de resto é senhora.

Soltei uma gargalhada alta que ecoou no espaço fechado do SUV.

— Ah, é assim agora? Então me diz uma coisa, Bruno... tu acha que eu fiquei com quantos caras na vida?

Bruno encostou a cabeça no banco, rindo e balançando a cabeça em sinal de negação:

— Não faço ideia... prefiro não comentar pra não arrumar complicação.

— Pois você se engana — continuei, mantendo o olhar na pista, mas deixando o tom de voz ficar um pouco mais denso. — Eu sou uma mulher muito tímida, Bruno. Não sei por que não consigo arrumar um cara bom... Às vezes acho que os caras hoje em dia gostam de outros caras, não é possível!

Damos risada juntos dessa zoeira, quebrando mais uma camada do gelo entre nós. Mas a conversa acabou derivando para um lugar mais profundo, um lugar que eu raramente abria para qualquer pessoa.

— A verdade é que eu sempre fui uma moça prendada — comecei, com a voz baixando de tom, lembrando da minha juventude. — Vivia para fazer o agrado de papai, cuidando das coisas dele, fazendo tudo do jeito que ele queria. Ele me ensinou a ser forte, a me defender, a não depender de ninguém... Mas depois que o velho se foi, eu percebi que meu propósito de vida parecia ser apenas agradar a ele. Agora estou aqui, tocando a vida sozinha.

O silêncio tomou conta da cabine por alguns segundos. O clima ficou visivelmente tenso, pesado com a honestidade daquela confissão. Bruno percebeu o peso do momento, ajeitou-se no banco e olhou para mim com uma genuína empatia:

— É complicado mesmo... Mas você tá nova, é uma mulher bonita, tem tudo pela frente. Vai dar certo, pode ter certeza.

A fala dele foi tão sincera, e o olhar dele passou tanto calor humano naquela penumbra que começava a tomar conta do carro, que me vi tomada por um impulso de audácia. Sem pensar muito, lancei a pergunta no ar:

— Tu me pegaria, Bruno?

A resposta dele veio sem um segundo de hesitação, de prontidão absoluta:

— Sem o revólver, sem sombra de dúvida!

A gargalhada foi geral dentro do carro. A espontaneidade dele, misturada à referência ao meu aviso velado de segurança, dissipou a tensão pesada e trouxe uma atmosfera completamente nova para o ambiente.

— Você é rápido, viu? — brinquei, diminuindo um pouco mais a velocidade do SUV para deixar a conversa fluir sem pressa. A velocidade baixou para uns sessenta por hora, e o carro parecia quase flutuar na pista.

— Ué, estou sendo sincero — disse ele, virando o corpo levemente na minha direção, o braço apoiado no console, perigosamente perto da minha mão que segurava o câmbio. — Uma mulher bonita dessa, cheia de atitude, dando bobeira do meu lado... só não te pego se você não quiser.

O tom da conversa já não era mais o mesmo do início da viagem. O jogo de insinuações estava claro, e o ar-condicionado parecia não ser mais suficiente para conter o calor que começava a subir dentro do veículo.

— Olha que eu não sou de brincar com essas coisas, Bruno — provoquei, trocando a marcha devagar e deixando meus dedos roçarem de leve no braço dele. — Se você estiver jogando conversa fora só pra passar o tempo da viagem, é melhor parar por aqui.

Ele deu um sorriso de lado, aquele tipo de sorriso que eu não conhecia nele quando o via apenas de passagem pelas ruas de Luís Eduardo. Seus olhos, agora bem mais audaciosos, sustentavam o meu olhar cada vez que eu tirava a atenção da pista por um segundo.

— Eu não estou jogando nada fora — respondeu ele, a voz descendo meio tom, ficando mais grave. — Desde que entrei nesse carro que estou prestando atenção no seu jeito. Você fala que é tímida, mas tem um fogo na fala que desarma qualquer um.

A aproximação física dentro do carro tornou-se inevitável. A estrada para Barreiras parecia ter ficado mais longa, e a velocidade reduzida do carro garantia que cada minuto daquela conversa se estendesse. O sol finalmente se pôs por completo no horizonte, deixando a cabine iluminada apenas pelas luzes esverdeadas do painel e pelos faróis dos poucos caminhões que passavam no sentido contrário.

— E você? — perguntei, sentindo meu coração acelerar um pouco mais, dessa vez não por perigo, mas pela expectativa. — Vai ter coragem de encarar uma mulher de personalidade forte, ou vai ficar só na promessa?

Bruno esticou a mão devagar, vencendo o pequeno espaço entre os nossos bancos. Seus dedos tocaram suavemente o meu pulso, subindo devagar pelo meu braço até a curva do meu ombro, fazendo minha pele se arrepiar por inteiro.

— A gente pode encostar ali na frente e você descobre a resposta — sussurrou ele, mantendo o olhar fixo no meu.

Olhei para a pista escura à frente, sentindo o calor do toque dele na minha pele e a firmeza da sua presença ao meu lado. O SUV continuava rodando devagar pelo acostamento da BR-242, e o destino final daquela viagem parecia ter mudado completamente de rumo.

logo mais a frente tinha alguns motéis eu ficava cismada de entrar em um lugar ou ser vista entrando.

Ele não acreditou quando dei seta na SUV e entramos pedi um quarto, este locais são bem sigilosos, eu nem imaginava de verdade.

Bruno passamos da teoria para pratica se quiser correr aproveite que da tempo, pois estou faminta!!

Bruno diz

— So pega a chave deixa, vamos ver quem ta com mais fome!!

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Escrito por Admin

Autor(a) e criador(a) de contos no Lamia Club.

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