Meu nome é Rodrigo, tenho 19 anos, e até aquele mês de janeiro a minha rotina em São Paulo era moldada pelo tom cinzento do asfalto, pelo ritmo apressado dos carros e pela previsibilidade das férias na capital. Tudo mudou no dia em que ela cruzou o portão do prédio ao lado. A garota que veio do Maranhão não apenas interrompeu o meu marasmo; ela trouxe consigo uma luminosidade que eu nem sabia que faltava no meu mundo. Mas, para que você entenda exatamente como uma visitante de longe foi capaz de desorientar todas as minhas certezas em poucas semanas, preciso voltar um pouco no tempo, ao momento exato em que nossos caminhos se cruzaram pela primeira vez.
Era uma terça-feira abafada. O ar de São Paulo estava pesado, prenunciando uma daquelas tempestades de verão que desabam no final da tarde e deixam a cidade em suspenso. Eu estava na calçada da minha casa, encostado no muro baixinho, tentando fazer o tempo passar enquanto rolava a tela do celular. Foi quando um táxi parou em frente ao portão vizinho — a casa dos tios da minha mãe, um casal de idosos simpáticos que morava ali há décadas.
A porta do carro se abriu e, de dentro dele, emergiu Larissa.
Ela tinha 18 anos recém-completados e vinha do interior do Maranhão, uma cidade logo a porta de entrada para os Lençóis Maranhenses. A primeira coisa que me chamou a atenção foi o contraste absoluto que ela formava com a paisagem urbana. Enquanto o resto de nós parecia pálido e acelerado, Larissa trazia a luz do sol entalhada na pele. Tinha um tom de canela quente, dourado e profundo, fruto de uma vida inteira exposta ao sol do litoral.
Acompanhei seus movimentos em silêncio enquanto ela tentava puxar uma mala pesada do porta-malas. O esforço revelava a estrutura do seu corpo com uma graciosidade quase desenhada. Ela não era muito alta, mas possuía uma presença física impossível de ignorar. Tinha pernas firmes e bem delineadas, trabalhadas pelas caminhadas constantes sobre a areia fofa das dunas, e ombros contornados que se conectavam a um pescoço longo. Sua cintura era visivelmente fina, criando um desenho harmonioso com o quadril largo, sobressaindo-se até mesmo sob a simplicidade de um short jeans desfiado e uma regata branca de algodão. Os cabelos, escuros como a noite e caindo em ondas volumosas até o meio das costas, balançavam levemente com o vento fraco, exalando um perfume fresco que parecia mesclar coco e brisa marinha.
Percebendo sua dificuldade com a bagagem, guardei o celular no bolso e me aproximei.
— Precisa de uma ajuda aí? — perguntei, tentando soar o mais natural possível, embora o meu pulso estivesse ligeiramente mais rápido do que o normal.
Ela se virou de sobressalto, ajeitando uma mecha de cabelo atrás da orelha. Foi quando vi seu rosto de perto. Tinha olhos ovais, escuros e extremamente expressivos, emoldurados por sobrancelhas marcadas e cílios densos. Os lábios eram cheios, com um contorno bem definido que se curvou imediatamente em um sorriso sincero, revelando dentes muito brancos.
— Nossas mãos, garoto, eu aceito sim! Essa mala tá parecendo que tem chumbo dentro — respondeu ela.
O tom da sua voz me pegou desprevenido. Era um sotaque suave, com um arrastado melódico e vogais abertas que faziam o português paulistano soar rígido e travado por comparação. O "s" sutilmente chiado e a cadência tranquila da sua fala eram como uma música lenta tocando no meio do barulho do trânsito.
Carreguei a mala até a varanda dos tios dela. Naquele breve trajeto de poucos metros, trocamos nossos nomes. Descobri que ela passaria trinta dias ali, aproveitando o intervalo entre o fim do ensino médio e o início da faculdade para conhecer a grande metrópole. Quando nos despedimos no portão, passei o resto da noite pensando no modo como seus olhos brilhavam ao olhar ao redor, curiosos para absorver tudo o que a cidade tinha a oferecer.
Nos dias que se seguiram, a presença de Larissa passou a ditar o ritmo das minhas tardes. Não demorou para que a barreira da vizinhança fosse quebrada. O portão entre as duas casas parecia ter deixado de existir.
No início, nossos encontros eram tímidos. Sentávamos nos degraus da minha varanda no final da tarde, dividindo um refrigerante gelado enquanto a cidade começava a acender suas luzes. Eu me tornei o seu guia particular de São Paulo, explicando como funcionavam as linhas do metrô, quais bairros tinham os melhores lanches e como escapar da chuva sem se molhar inteiro. Em troca, ela me abria as portas para um mundo totalmente distante da minha realidade.
Larissa falava do Maranhão com uma paixão contagiante. Descrevia a imensidão das lagoas cristalinas que se formavam entre os morros de areia branca, o calor intenso que fazia a brisa do mar ser o maior luxo do dia e a sensação de sol quente sob os pés descalços. Enquanto falava, ela gesticulava com as mãos de dedos longos e delicados, e eu me pegava observando não os lugares que ela descrevia, mas a maneira como sua pele dourada refletia a luz alaranjada do entardecer paulistano.
Com o passar das duas primeiras semanas, a amizade inicial começou a carregar uma tensão silenciosa. Cada gesto simples ganhava uma gravidade diferente. Quando caminhávamos até a padaria da esquina, o toque acidental dos nossos braços fazia meu corpo todo entrar em alerta. Ela tinha o hábito de rir jogando a cabeça ligeiramente para trás, expondo a curva suave do pescoço, ou de se aproximar um pouco mais do que o necessário quando queria me contar um segredo em tom de brincadeira.
Lembro-me de uma sexta-feira em particular, quando a temperatura na cidade subiu drasticamente. O calor abafado tomou conta do bairro, e Larissa apareceu na varanda vestindo um vestido leve de alças finas, estampado com folhagens verdes. O tecido fluido acompanhava as curvas do seu corpo a cada passo que dava. Ela trazia duas paletas mexicanas na mão e sentou-se ao meu lado no degrau de cimento.
— Em minha cidade a gente estaria no rio uma hora dessas — disse ela, limpando uma gota de sorvete que havia caído no seu pulso com a ponta da língua.
O movimento foi simples, despretensioso, mas prendeu a minha atenção de um jeito avassalador. Olhei para o perfil do seu rosto, acompanhando a linha do seu nariz reto até os lábios molhados. Ela percebeu meu olhar fixo e se virou lentamente para mim. Seus olhos escuros sustentaram os meus por alguns segundos que pareceram durar minutos inteiros. O barulho dos carros na avenida ao fundo pareceu desaparecer por completo.
— O que foi, Rodrigo? Tenho alguma coisa no rosto? — perguntou, com o tom de voz baixinho, quase em um sussurro, e um meio sorriso provocante que denunciava que ela sabia exatamente o efeito que causava.
— Não... é só que você não combina muito com esse lugar — admiti, sendo mais honesto do que pretendia. — A cidade parece pequena demais perto de você.
Ela soltou uma risada baixa, uma vibração limpa que pareceu ecoar no meu peito. Larissa inclinou o corpo na minha direção, o suficiente para que eu sentisse o calor que emanava da sua pele e aquele mesmo perfume marinho que me intrigava no primeiro dia.
— Pois eu acho que São Paulo tá ficando bem interessante ultimamente — respondeu, sem desviar os olhos dos meus.
eu fui lentamente ao encontro de tocar seu rosto com as mãos, ao mesmo instante que alguém apareceu na janela da casa dela a chamando,me desequilibrei sem quere minha mão roçou em seu peito.
— Nossa me perdoa Larissa foi sem querer,
ela respondeu em tom firme.
— cuidado, não faça isto novamente por favor.
aquilo me deu uma mistura de desafio e ao mesmo tempo medo, fiquei sem enteder nada, eu achei que ela foi grossa comigo.
Mais tarde da noite o pessoal fez uma comida típica da terra dela, eu estava em casa mexendo no celular e pensando na merda que fiz.
seguindo contra todas as prováveis estatística ouço batidas em minha porta, la estava ela com cabelo amarrado estilo COC, com uma vasilha com alguma coisa muito cheirosa dentro.
— Hey lembrei de voce, me desculpa por mais cedo é que foi sem que eu tivesse preparada e vi meu tio olhando pela greta da porta.
eu respondi que tudo bem, que nao daria outro vacilo, ela falou
— voce que sabe so escolha bem o momento.
eu fiquei ainda mais confuso,ela veio me entregou a vasilha e disse
— Pra compensar a broca…
e me deu um beijo na boca, simplesmente do nada, e foi saindo como se não tivesse acabado de ativar um vulcão dentro de mim.
A partir daquele momento, o ar entre nós mudou de definitivo. Não éramos mais apenas o vizinho paulistano e a garota visitante; tínhamos nos tornado algo inevitável.
Nos dias seguintes, exploramos a cidade juntos com uma urgência renovada, como se ambos soubéssemos que o calendário estava correndo contra nós. Fomos ao Parque do Ibirapuera, onde caminhamos por horas sob a sombra das árvores, e ao topo de um edifício no centro, de onde vimos o horizonte infinito de prédios. Em todos esses lugares, minha atenção estava dividida entre a paisagem e o desenho da sua figura ao meu lado — a forma como o vento ajustava o vestido ao seu corpo, a firmeza com que ela segurava a minha mão ao atravessar as ruas movimentadas e o tom divertido da sua voz misturando gírias do norte com as que eu ensinava a ela.
Na última semana de janeiro, o tempo começou a cobrar a sua conta. A data do voo de volta para o Maranhão se aproximava, e uma sombra discreta de despedida passou a pairar sobre nossas conversas.
Na véspera da sua partida, a noite caiu fresca e limpa. Sentamos no mesmo degrau da varanda onde tudo havia começado semanas antes. O silêncio entre nós não era desconfortável, mas carregado de tudo aquilo que sabia que não precisava mais ser dito em palavras.
Larissa estava usando uma blusa preta justa que realçava o tom canela dos seus ombros e do colo. Ela olhava para o céu sem estrelas da metrópole, mantendo os joelhos dobrados e abraçados contra o peito, uma posição que destacava a curva delicada das suas costas e a firmeza das suas pernas.
— Vou sentir falta do barulho dessa cidade — disse ela, quebrando o silêncio e virando o rosto para me encarar. — Mas acho que vou sentir mais falta de você me explicando como ela funciona.
— A cidade vai voltar a ser cinza quando você for embora, Larissa — respondi, aproximando minha mão da dela que descansava sobre o cimento.
Ela não recuou. Em vez disso, entrelaçou seus dedos longos nos meus, apertando com firmeza. A textura da sua pele era macia e quente, contrastando com a brisa fria daquela noite de janeiro.
Ela se aproximou devagar. Pude sentir a sua respiração compassada contra o meu rosto antes que seus lábios quentes e macios tocassem os meus. Foi um beijo lento, calmo, carregado com a mesma cadência do seu sotaque e a intensidade do sol que ela trazia na pele. Minha mão subiu naturalmente para a sua cintura fina, sentindo a curva do seu corpo se ajustar perfeitamente ao meu abraço enquanto os dedos dela se perdiam nos meus cabelos.
Quando nos afastamos, seus olhos brilhavam sob a luz fraca do poste da rua. Ela sorriu, um sorriso doce e ligeiramente melancólico, antes de apoiar a cabeça no meu ombro. Sentamos ali por um longo tempo, apenas ouvindo o pulsar distante da metrópole e o som suave da nossa própria respiração.
trocamos vários beijos, fiz umas investidas para ir mais alem!
ela sempre me deixando à vontade dava para ver o desejo a vontade nos olhos, no calor de seu corpo e sua respiração.
acompanhe a parte 2
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