A chuva batia com suavidade contra a vidraça da janela, criando uma melodia constante e ritmada que isolava o quarto do restante do mundo. O relógio na parede deu sua décima segunda badalada, fraca e distante, anunciando o início de mais uma madrugada silenciosa.
Você se ajeitou na poltrona, puxando o cobertor para mais perto dos ombros. A iluminação fraca da luminária projetava sombras suaves pelo cômodo. Foi exatamente nesse instante que a porta rangeu levemente e passos calmos cruzaram o assoalho.
— Ainda acordada? — a voz veio baixa, quase em um sussurro, próxima o suficiente para fazer um arrepio percorrer sua nuca.
Você olhou para cima. Ele sorriu devagar, aproximando-se com passos ponderados, sem pressa alguma. Ele puxou a cadeira ao lado da sua e se sentou, inclinando-se um pouco mais para perto. O cheiro sutil de amadeirado e chuva fresca preencheu o espaço entre vocês.
— A noite sempre deixa os pensamentos mais altos, não é? — ele continuou, a voz aveludada e calma, como se quisesse garantir que nenhum ruído externo quebrasse a intimidade daquele momento. — Mas você não precisa carregar essa inquietação sozinha.
Ele estendeu a mão lentamente, deixando os dedos roçarem de leve nas costas da sua mão antes de envolver seus dedos com um calor acolhedor.
— Feche os olhos por um segundo. Apenas escute a chuva... e a minha voz. Prometo que, até o amanhecer, nenhum receio vai conseguir te alcançar.
Sua respiração desacelerou ao ritmo das palavras dele. Na penumbra da meia-noite, o tempo pareceu congelar, deixando apenas o som da tempestade lá fora e a presença inquestionável dele ao seu lado.
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