O décimo quarto andar do edifício empresarial, no centro financeiro da cidade, ostentava a sobriedade típica dos grandes escritórios de advocacia. Paredes revestidas com painéis de madeira nobre, carpetes densos que abafavam qualquer ruído e uma iluminação indireta projetada para transmitir autoridade e confidencialidade. Passava das sete e meia da noite de uma quinta-feira chuvosa. A maior parte das secretárias e associados já havia deixado o andar, e o silêncio que tomava conta do ambiente era quebrado apenas pelo chiado suave do ar-condicionado central e pelo som da chuva batendo contra os vidros temperados das janelas panorâmicas.
Aos meus trinta e sete anos, ajustei o nó da gravata num gesto automático enquanto passava os olhos pelo volumoso parecer contratual na tela do computador. Como advogado sênior especialista em direito corporativo, eu carregava o porte e a postura de quem domina os ambientes por onde circula, acostumado a controlar cada detalhe ao meu redor.
O motivo daquela reunião fora do horário comercial era uma demanda urgente e peculiar. Uma grande clínica veterinária da região, envolvida em uma negociação de fusão, precisava de adequações jurídicas imediatas na documentação sanitária. A encarregada de alinhar esses laudos era Letícia.
Com apenas vinte e três anos, recém-formada e recém-contratada como responsável técnica do grupo, Letícia ostentava uma inteligência aguçada que contrastava com sua jovialidade. Havia entre nós uma convivência estritamente profissional que se arrastava há cerca de quatro meses. Encontramo-nos esporadicamente em reuniões formais e trocas de e-mails institucionais. Nunca tínhamos trocado um aperto de mão mais prolongado ou uma liberdade fora do escopo do trabalho. No entanto, a tensão velada e a atração silenciosa sempre estiveram lá, suspensas no ar a cada olhar sustentado além do tempo necessário.
A porta de vidro jateado da sala de reunião principal abriu-se suavemente. Levantei os olhos e a vi entrar.
Letícia usava um blazer estruturado sobre uma blusa de seda e uma calça de alfaiataria escura que marcava com precisão a linha esguia do seu quadril. Tinha os cabelos castanhos presos num coque levemente desfeito, do qual algumas mechas escapavam e caíam sobre o pescoço claro. O cheiro macio do seu perfume — algo sutil, com notas florais e um fundo limpo — precedeu sua caminhada até a mesa de reuniões.
— Desculpe o atraso, Eduardo. O trânsito por causa da chuva estava impossível e precisei fechar uma emergência na clínica antes de vir — disse ela, a voz firme, mas com um tom respirado que revelava a correria.
— Sem problemas, Letícia. O importante é resolvermos essas cláusulas hoje — respondi, levantando-me para cumprimentá-la.
O toque das mãos foi o primeiro contato físico direto que tivemos em meses. A mão dela estava fria por causa da chuva; a minha, quente. O aperto durou dois segundos a mais do que ditaria a etiqueta corporativa. Os olhos dela, de um castanho profundo, fixaram-se nos meus antes de ela desviar o olhar para a pasta de couro sobre a mesa.
Nós nos sentamos lado a lado na cabeceira da grande mesa de jacarandá, cercados por pilhas de documentos e pelas luzes da cidade borradas pela água na janela. Durante a primeira hora, o ritmo foi rigorosamente profissional. Discutimos termos técnicos, regulação do CRMV e garantias contratuais. Contudo, conforme a noite avançava, a postura rígida de ambos começou a ceder ao cansaço e à proximidade.
Letícia desabotoou o primeiro botão da blusa de seda, desculpando-se pelo calor, embora o ambiente estivesse perfeitamente climatizado. Encostei-me na cadeira de couro, observando o movimento dos dedos dela ajeitando a gola, expondo a pele alva da saboneteira e o pulso delicado.
— Você trabalha demais para alguém tão jovem — comentei, inclinando meu corpo levemente na direção dela, mudando meu tom de voz para algo mais baixo, rasgado.
— E você assume responsabilidades demais para quem poderia delegar tudo aos associados — rebateu ela, virando o rosto para me encarar, apoiando o cotovelo na mesa com um sorriso sutil e provocante nos lábios.
A barreira do profissionalismo invisível ruiu ali. O jogo de olhares que durava meses não precisava mais de disfarces.
— Talvez eu prefira cuidar pessoalmente do que realmente me interessa — disse, a voz descendo um oitavo.
Letícia não recuou. Pelo contrário, umedeceu os lábios com a ponta da língua, olhando direto para a minha boca. A diferença de idade, que antes parecia um abismo de formalidade, transformou-se instantaneamente num catalisador de desejo.
— E este parecer é tudo o que te interessa esta noite? — perguntou ela num sussurro corajoso, desafiando-me.
Fechei a pasta de documentos sobre a mesa com um baque seco que ecoou na sala silenciosa. Levantei-me devagar, caminhei até a porta de entrada da sala de reunião e girei a trava de segurança de aço inoxidável. O clique metálico selou o isolamento do ambiente. Em seguida, fui até o painel e reduzi a iluminação, deixando o escritório banhado apenas por uma luz amarelada e fraca, vinda do corredor e do brilho suave da cidade lá fora.
Quando voltei para junto da mesa, Letícia já havia se levantado. Ela estava parada ao lado da cadeira de couro, com a respiração visivelmente acelerada e o peito subindo e descendo contra a seda da blusa.
Aproximei-me sem pressa, encurtando a distância até sentir o calor emanando do corpo dela. Estendi a mão e, com as costas dos meus dedos, acariciei o contorno da mandíbula de Letícia, descendo devagar pelo pescoço macio até a linha do colar. Ela fechou os olhos ao sentir meu toque, soltando um arfar contido.
— Há quanto tempo você pensa nisso, Letícia? — perguntei, colando meu peito ao dela.
— Desde a primeira reunião... quando você me olhou por cima dos óculos e fingiu que só estava prestando atenção nos laudos — confessou ela, abrindo os olhos carregados de uma luxúria crua.
Segurei-a pela nuca com firmeza, puxando seu rosto para um beijo lento, profundo e faminto. As bocas se encontraram com a urgência retida de quatro meses de silêncio. Minha língua invadiu a boca de Letícia, que respondeu com volúpia, enfiando as mãos pelos meus cabelos e me puxando para mais perto. O gosto de café e o calor da boca dela me enlouqueceram.
Guiei-a para trás até que a parte posterior das coxas dela colasse na borda da mesa de jacarandá. Ergui-a sem esforço, sentando-a sobre a madeira polida. Letícia abriu as pernas imediatamente, envolvendo meu quadril com as coxas bem delineadas, puxando minha cintura contra a sua.
O beijo tornou-se mais urgente. Minhas mãos desceram pelas costas dela, abrindo o zíper lateral da calça de alfaiataria e deslizando o tecido elegante para baixo, junto com a peça íntima de renda fina. A pressa e o risco de estarmos num escritório corporativo alimentavam o fogo da situação.
Acomodando-me entre as pernas abertas dela sobre a mesa de reuniões, desci os beijos pelo pescoço de Letícia, ouvindo os gemidos baixos e abafados que ela tentava segurar, consciente de que qualquer som alto poderia ecoar pelo andar vazio.
— Eduardo... meu Deus... — sussurrou ela, jogando a cabeça para trás e cravando as unhas nos meus ombros.
Com a minha mão direita livre, desci pela barriga lisa dela, sentindo a pele quente e trêmula, até alcançar sua fenda. A umidade que encontrei era abundante, fruto de uma excitação que vinha sendo alimentada durante horas de conversa velada. Letícia estava completamente encharcada, o calor exalando de sua virilha num aroma denso e inconfundível de desejo puro.
Comecei a massagear o clitóris rijo dela com o polegar, enquanto introduzia dois dedos compridos na cavidade aquecida e apertada. Letícia deu um sobressalto na mesa, arfando alto e segurando meu braço com força. O ritmo do meu toque era lento, calculado, com a pressão exata. Eu flexionava os dedos lá dentro, sentindo as paredes vaginais se contraírem avidamente ao redor da minha mão, besuntando a pele dos meus dedos com o sumo quente do tesão dela.
— Você é perfeita... — murmurei contra o ouvido dela, acelerando o movimento, sentindo a umidade transbordar e escorrer pela base do meu punho.
Letícia curvou o quadril para a frente, buscando a pressão, a respiração totalmente descontrolada. Ela esfregava contra a minha mão numa cadência desesperada. O som úmido dos meus dedos deslizando na buceta molhada preenchia a sala de reunião, misturado ao som da chuva forte lá fora.
O ápice aproximava-se rápido. O corpo de Letícia começou a tremer intensamente, as coxas contraindo-se fortemente ao redor da minha mão enquanto ela atingia um orgasmo violento, silencioso e avassalador. Ela abafou o grito mordendo o próprio lábio inferior, as lágrimas de prazer surgindo no canto dos olhos enquanto o sexo pulsava e ordenhava meus dedos com força irresistível.
Mantive o toque suave até que as contrações diminuíssem. Subi o corpo, voltando a beijá-la na boca, sentindo a entrega absoluta da jovem veterinária, que respirava fundo, ainda em choque com a intensidade do clímax.
Ajustei meu cinto e minha roupa, mantendo o controle da situação. Embora meu desejo de consumar o ato com a penetração fosse imenso, o barulho sutil de um elevador chegando ao andar no final do corredor acendeu meu alarme de prudência.
— Alguém está no andar... — sussurrei, interrompendo o movimento no momento exato.
Letícia piscou devagar, voltando à realidade. Com uma agilidade surpreendente, recompos-se, puxando a calça e a peça íntima para cima, fechando o zíper e ajeitando a blusa de seda, enquanto seu rosto ainda queimava e o olhar permanecia turvo pelo prazer recente.
Ajudando-a a descer da mesa, nos olhamos por alguns segundos em silêncio — um olhar de cumplicidade absoluta, marcado pela travessia definitiva da linha profissional.
— Preciso ir antes que tenha algum segurança — disse ela, a voz rouca, tentando alinhar os cabelos no coque.
— Eu te acompanho até o estacionamento — respondi, mantendo a calma habitual na voz, embora meu peito ainda estivesse acelerado.
Destravamos a porta e saímos para o corredor iluminado. O encontro com o vigia noturno no saguão foi breve e formal; uma troca de cumprimentos frios que disfarçava com perfeição a cena devassa que acabara de ocorrer minutos antes sobre a mesa de jacarandá.
No subsolo, ao lado do carro dela, Letícia despediu-se com um toque sutil no meu braço e um sorriso enigmático antes de entrar no veículo e partir pela rampa.
Caminhei até meu próprio carro, um sedã preto estacionado na vaga privativa. Sentei-me ao volante, fechei a porta e encostei a cabeça no apoio de couro. O silêncio da garagem era absoluto.
Foi quando levei a mão direita ao rosto para afastar os cabelos da testa.
O cheiro me atingiu em cheio.
Mesmo sob o aroma do ar-condicionado do carro e do meu próprio perfume amadeirado, minha mão — especificamente a pele do indicador e do médio — guardava a essência crua, quente e inconfundível do sexo de Letícia. Era um perfume íntimo, almiscarado e denso, fruto do orgasmo recente da jovem.
Não liguei o motor imediatamente. Em vez disso, aproximei os dedos do nariz e me peguei aspirando fundo, fechando os olhos na penumbra do carro. O cheiro marcante impregnado em minha pele era a prova física de que aquilo não fora um delírio, mas o início de um jogo perigoso de desejo e poder do qual nenhum dos dois conseguiria mais escapar.
Comentários (0)
Faça login para comentar.
Seja o primeiro a comentar nesta história!