Romance, Traicao

Desbloqueando a cunhadinha parte 1

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O motor 1.6 do velho Chevette 88 urrava como um bicho velho subindo a ladeira de cascalho. O painel desgastado vibrava tanto que o ponteiro da velocidade parecia dançar entre os trinta e os quarenta quilômetros por hora, enquanto a poeira vermelha da estrada de roça subia em redemoinhos pelas frestas das vedações ressecadas das portas.

Eu tinha vinte e seis anos e achava que conseguia dominar qualquer situação, mas a verdade é que a combinação de duas garrafas de cerveja artesanal, um destilado barato tomado no bar do arraial e a escuridão total daquela zona rural estava testando meus reflexos. No banco do carona, encostada no estofamento de courvin meio rasgado, estava Laura.

Laura tinha vinte e um anos e um tipo de riso fácil que parecia desafiar a gravidade das coisas. Ela era irmã da minha namorada — minha cunhada, portanto —, mas há meses havia entre nós uma espécie de corrente elétrica invisível, uma tensão silenciosa que ninguém ousava nomear. Naquela noite, depois de horas de música alta, poeira e copos cheios no churrasco de aniversário de um amigo comum na roça, coube a mim a tarefa de levá-la de volta para a cidade.

O rádio antigo do carro chiava uma música sertaneja antiga, quase engolida pelo barulho do escapamento furado. A janela dela estava meio aberta, e o vento frio da madrugada entrava cortando o calor abafado do cabine, fazendo os cabelos castanhos e compridos de Laura voarem em desalinho sobre o rosto. Ela trajava um short jeans curto, daqueles desfiados na barra, e um cropped simples que deixava uma faixa generosa de pele da cintura à mostra. O cheiro dela — uma mistura de perfume adocicado com o aroma característico de malte e vento da noite — tomava conta de todo o espaço reduzido do carro.

— Você tá correndo demais nessa buraqueira, César — disse ela, a voz meio arrastada pelo efeito da bebida, apoiando o cotovelo na armação da janela e olhando para mim com um canto de olho carregado de malícia.

— O Chevette é guerreiro, Laura. Se eu aliviar o pé na subida, a gente fica atolado nessa rampa de cascalho — respondi, sem tirar os olhos do facho fraco dos faróis amarelos que mal iluminavam os mourões de cerca na beira da pista.

— Sei... guerreiro. Mas se essa lata de velha quebrar aqui no meio do nada, quem vai ter que empurrar sou eu. E eu tô de salto, tá?

Eu ri, balançando a cabeça.

— Fica tranquila. Conheço esse caminho de cor.

A estrada, no entanto, parecia não se importar com a minha confiança. Logo após a curva da porteira de arame, o terreno despencou em uma sequência de costelas-de-vaca violentas. O carro sacudiu por inteiro. O impacto fez a traseira do Chevette rabiar de leve para a esquerda.

Para recuperar a tração e manter o motor cheio, inclinei o corpo ligeiramente para a direita e estiquei o braço para engatar a terceira marcha. Mas a alavanca daquele carro tinha uma folga crônica na bucha, balançando solta como uma colher em panela vazia.

No exato segundo em que joguei a mão com força para baixo para encaixar a marcha, o pneu dianteiro acertou um buraco fundo oculto pela poeira. O tranco foi seco. Meu corpo foi projetado para o lado, meu cotovelo dobrou e a minha mão direita errou completamente o pomo de madeira do câmbio.

Em vez de segurar a alavanca, minha mão aberta espalmou-se com firmeza no espaço quente entre as pernas de Laura.

O toque foi direto, pesado e inconfundível. Minha palma assentou-se exatamente sobre o tecido do short dela, a escassos centímetros da costura central, sentindo imediatamente o calor denso da pele dela por baixo do pano curto.

O tempo pareceu congelar dentro do carro. O barulho do motor urrando em alta rotação sumiu da minha mente. Um choque elétrico subiu pelo meu braço até a nuca, fazendo todos os meus pelos se arrepiarem de uma só vez. Senti o coração dar um salto violento contra as costelas.

Girei o rosto devagar, em pavor puro, esperando encontrar uma expressão de choque, raiva ou o começo de um escândalo que destruiria minha vida.

Laura não se encolheu. Não deu um grito. Não puxou o corpo para trás.

Ela continuou encostada no banco de courvin, a cabeça levemente inclinada para o lado, me encarando através da penumbra alaranjada do painel. Um sorriso lento, preguiçoso e absolutamente provocante começou a se desenhar nos lábios dela. Os olhos dela, meio pesados pela bebida, brilhavam com uma lucidez perigosa.

— Não vai nem conversar antes, César? — sussurrou ela, com a voz baixa, rouca e impregnada de uma ironia deliciosa.

Senti minha garganta secar instantaneamente. Tentei puxar a mão de volta, tomado pelo susto e pelo reflexo tardio da prudência.

— Laura... me desculpa! O buraco na pista... a folga do câmbio escapou... — balbuciei, a voz falhando enquanto começava a recuar os dedos.

Antes que minha mão se afastasse dois centímetros, a mão macia e quente de Laura veio por cima da minha. Com uma firmeza surpreendente, seus dedos cravaram-se no dorso da minha mão, interrompendo o meu movimento de recuo e pressionando minha palma de volta contra o meio das suas pernas.

— Quem disse que é para tirar? — murmurou ela, sem desviar o olhar do meu por um segundo sequer.

O ar sumiu dos meus pulmões. O carro continuava rodando a quarenta por hora na estrada deserta de terra, a terceira marcha gritando para ser engatada, mas minha atenção estava 100% presa ao toque denso e proibido que agora se selava sob a mão dela.

— Laura, a gente tá no carro... você é irmã da... — tentei formular, mas a frase morreu no meio da minha boca.

— Deixa a mão aí mesmo — interrompeu ela, deslizando os próprios dedos para longe, mas mantendo o corpo relaxado, abrindo ligeiramente os joelhos no banco rasgado do Chevette. — Sem problema nenhum. Aliás... até que demorou.

Ela soltou uma risadinha baixa, deliciando-se com o meu estado de transe. A provocação velada que alimentávamos há meses em trocas de olhares nas festas de família acabara de explodir no meio de uma estrada de roça, sem testemunhas, sem regras e sem volta.

Minha mão, que antes estava ali por mero acidente mecânico, agora respondia a um impulso completamente diferente. Senti a textura do jeans curto, a temperatura elevada da pele das coxas dela e a respiração de Laura acelerar à medida que o Chevette devorava a escuridão da estrada rural.

Eu sabia que havíamos cruzado uma linha sem retorno, mas enquanto o motor velho roncava sob o capô, a única certeza que eu tinha era de que a viagem de volta para a cidade seria muito mais longa do que o mapa previa.

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Escrito por Admin

Autor(a) e criador(a) de contos no Lamia Club.

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